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Companhia Siderúrgica do Pecém entra na fase final


Com capital brasileiro e sul-coreano, será a primeira usina siderúrgica do Ceará e poderá estimular formação de polo metal-mecânico na região

 



 

A execução da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no município de São Gonçalo do Amarante (CE), no interior do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, chegou à fase final, com cerca de 80% das obras concluídas. A expectativa é que a usina entre em operação no segundo trimestre de 2016, com capacidade inicial de produzir 3 milhões de t de placas de aço ao ano. As execuções começaram em julho de 2012.

 

É o maior empreendimento privado industrial no Ceará e a primeira usina siderúrgica do Estado, numa associação da brasileira Vale (50% de participação) com as sul-coreanas do setor siderúrgico Dongkuk Steel (30%) e Posco (20%). As empresas dividirão a produção da seguinte forma, nos primeiros 15 anos: 1,6 milhão de t ficará com a Dongkuk, 800 mil t com a Posco e 600 mil t com a Vale. O investimento total soma US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões, ao câmbio de julho), sendo 45% dos recursos próprios e 55%, financiados.

 

A CSP terá área construída total de 571 ha, em terreno de 989 ha localizado no km 11,5 da rodovia CE-155 (antiga CE-422), também chamada de Via Portuária, pois leva diretamente ao Porto do Pecém. A responsabilidade pela construção é da Posco Engenharia e Construção do Brasil, braço construtivo da Posco, conforme contrato que soma projeto de engenharia, montagem, aquisição de equipamentos e construção.

 

Peças e insumos vindos da Ásia

Aliás, parte significativa das grandes estruturas metálicas e insumos básicos da usina foi importada da Coreia do Sul e da China e trazida de navio ao Porto do Pecém. Um volume que chegou a representar, em 2014, 30% do total importado pelo Ceará, segundo a Receita Federal. A CSP é a primeira empresa no Brasil a operar em regime de Zona de Processamento de Exportação (ZPE), como área de livre comércio com o exterior que se beneficia de tratamentos tributário, cambial e administrativo específicos. No caso da CSPdesonera, por exemplo, as importações e as compras no mercado interno tanto para a montagem da siderúrgica quanto para a aquisição de seus insumos.

 

Do ponto de vista humano, a história da construção da Companhia Siderúrgica do Pecém tem uma peculiaridade: o relacionamento direto de gestores e engenheiros sul-coreanos com mão de obra fundamentalmente brasileira. Um trabalho muitas vezes marcado pelo choque de culturas e divergências de processos, mas também de aprendizados mútuos. No pico dos trabalhos, em junho deste ano, eram quase 13 mil trabalhadores brasileiros colaborando com engenheiros e gerentes sul-coreanos nos múltiplos canteiros do empreendimento. Esse contingente de trabalhadores deve se manter nos próximos meses.

 

O intercâmbio Brasil-Coreia do Sul incluiu viagens de líderes brasileiros à Coreia, às plantas da siderúrgica Posco em Pohang e Gwangyang, e à Indonésia, à planta de Krakatau, semelhante à que está sendo executada no Ceará. Engenheiros, operadores e gerentes brasileiros da CSP tiveram oportunidade de conhecer formal e diretamente métodos de trabalho, ferramentas de gestão, tecnologias e sistemas que também estarão presentes no dia a dia da futura siderúrgica.

 

Linha única de produção

Do ponto de vista das instalações, a CSP se caracteriza como single line, isto é, possui uma linha única de produção, com somente uma coqueria (prédio onde se transforma carvão mineral em coque), uma edificação de sinterização (para aglomeração do minério de ferro) e um alto-forno. Por isso o diretor de projetos da CSP, Dong Ho Kim, a qualifica como “empreendimento arriscado”. “Se algo acontece numa pequena instalação da linha, influencia todo o processo. Mas nós temos exatamente a mesma instalação na Indonésia, a Krakatau Posco, que já está funcionando desde o ano passado”, confia o diretor, em comunicado oficial.

 



Prédio de arquitetura do complexo executado por construtora brasileira: Compartilhamento de processos com

engenheiros sul-coreanos

 

A Posco Engenharia e Construção do Brasil, responsável geral pelo projeto, conta também com uma série de empresas e fornecedores brasileiros como parceiros, entre eles, a Makro Engenharia (executora dos serviços de içamento e movimentação de cargas), com sede em Fortaleza (CE), e a Rio Verde Engenharia, com sede em Limeira (SP). Cabe a esta última, especificamente, a construção das estações de tratamento de água (denominadas raw waterwaste water e yard waste water), dos prédios de arquitetura (edifício do controle de operações, laboratório central e de matéria-prima, facilidades de transportes, armazém central e de manutenção das máquinas) e das utilidades (duas subestações de energia e distribuição dos cabos elétricos, fundações dos tanques de gases). Obras para as quais a Rio Verde contou com 1,5 mil trabalhadores diretos no pico, em dezembro de 2014. Agora, em julho, os serviços gerais estavam em fase final, com 500 trabalhadores no local. Especificamente, executava-se a última estação de tratamento de água e concluíam-se os prédios de arquitetura.

 

João Ridinaldo, gerente de contratos da Rio Verde, avalia assim o trabalho e o aprendizado até aqui: “Passamos a ter mais experiência com obras de grandes volumes e atingimos um novo patamar, além de ter como desafio atender um cliente com uma cultura muito diferente da nossa, como é o caso da sul-coreana Posco”. Ridinaldo aponta também, como características singulares da obra, “entregas com prazo muito arrojado” e utilização de materiais e equipamentos importados da Coreia. “Trouxe um ganho de conhecimento a todos.”

 



 

A CSP, quando estiver plenamente ativa, deverá empregar 4 mil trabalhadores diretos e estimular a geração de outros 12 mil postos de trabalho indiretos. “A CSP para nós cearenses representa a concretização de um sonho antigo de termos nossa usina siderúrgica e, mais do que isto, termos um marco inicial de um importante polo metal-mecânico em nosso Estado”, projeta Ricardo Pereira, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico do Ceará (Simec), em documento da CSP.

 

Economia em alta

Diferentemente da média geral do País, o Ceará expande bens e serviços produzidos localmente, com alta de 4,36% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 e de 1,05% no primeiro trimestre deste ano, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). A CSP pode ser, assim, reforço necessário ao fortalecimento industrial regional, diversificando atrativos para muito além da agricultura e do turismo. Para isso, o olhar direcionado ao mercado externo, para onde vai a produção da CSP, precisa vir acompanhado de uma mirada local, também. Senão, poderá ser só um empreendimento destinado à exportação, com capacidade de transformação local reduzida.

 

 

Ficha Técnica - Companhia Siderúrgica do Pecém (CE)


 


- Local: São Gonçalo do Amarante (CE), a 55 km de Fortaleza


- Proprietários: Vale (Brasil) e Posco e Dongkuk Steel

   (Coreia do Sul)


- Investimento: US$ 5,4 bilhões


- Projeto e construção geral: Posco Engenharia e Construção do Brasil


- Construção das estações de tratamento de água, dos prédios de arquitetura e das utilidades: Rio Verde Engenharia


- Terraplenagem: Craft


- Fundações e serviços diversos: Dongyang, Braco, Seil, Samjin, Daehyuk e Daehah

    - Içamento e movimentação de cargas: Makro Engenharia





quinta-feira, 20 de agosto de 2015





Fonte: Redação OEngruências com as especialidades da obra – hidráulica, elétrica, automação, climatização etc.”